Esta parábola taoista é uma metáfora poderosa para o trabalho terapêutico: tocar o que fere, com a intenção de restaurar. É também um convite à reflexão sobre a compaixão, a presença e a fidelidade à nossa essência — mesmo quando o mundo responde com dor.
Um mestre taoista passeava com um dos seus discípulos pela margem de um rio, quando viu um escorpião a afogar-se.
Parou e meteu a mão na água para salvar o animal. Mas o bicho picou-o e ele deixou-o cair novamente no rio. A mão inchou, o mestre contorceu-se de dor e, com grande alarido, o noviço vociferou contra a natureza maligna do animal.
Enquanto o discípulo resmungava sobre a malvadez do escorpião, o mestre tornou a pôr a mão na água para o salvar o animal novamente do afogamento. E, como seria de esperar, o aracnídeo voltou a picá-lo. Desta vez, o mestre suportou a dor e colocou o escorpião em terra.
Incrédulo o rapaz perguntou: «Porque o fizeste, mestre? É da sua natureza picar-te sempre que pode…»
O mestre respondeu: «E é da minha fazer tudo para o salvar.»